Hipertensão em crianças e adolescentes pode acontecer?

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A hipertensão nada mais é do que a pressão alta no organismo. Trata-se de uma doença silenciosa, visto que não apresenta sintomas agudos, que façam o indivíduo buscar ajuda médica imediatamente. Não raramente, a pessoa nem sabe que tem pressão alta. Mas, será que a hipertensão em crianças e adolescentes pode acontecer? Se sim, o que pode ser feito para evitar e/ou reverter este quadro? É o vamos ver no texto de hoje. 

O que é hipertensão? 

A hipertensão é uma condição clínica caracterizada pelo aumento da pressão arterial. É considerado um problema de saúde pública, afetando pessoas de todas as idades e condições sociais, podendo, inclusive, acometer crianças e adolescentes. 

Em todo o mundo, o número de pessoas afetadas pela doença é alarmante. No Brasil, cerca de 25% da população é diagnosticada com hipertensão. Esta, por sua vez, pode trazer diversos problemas para o coração, cérebro, rins, dentre outros órgãos, portanto, é uma condição que merece muita atenção. 

Ao contrário do que se pensa, a preocupação com a hipertensão em crianças e adolescentes deve ser ainda maior, sobretudo se pais possuem a doença, uma vez que ela possui um caráter hereditário. 

Diagnóstico de hipertensão

O diagnóstico de hipertensão não é feito somente com uma medida de pressão. 

Para um diagnóstico preciso, são necessárias pelo menos 3 medidas de pressão aumentada, em diferentes situações. Os valores são analisados conforme um quadro que indica a idade, altura e sexo do paciente.

No caso de crianças e adolescentes, é comum que a hipertensão esteja associada a outra condição, como obesidade e alimentação inadequada. No entanto, nem todas as causas de hipertensão infantil e em adolescentes ainda foram determinadas.

A fim de obter o disgnóstico precoce e minimizar os danos da doença, o ideal é que crianças a partir dos 3 anos de idade tenham pressão medida sempre em consultas de rotina. Antes dessa data, a medida da pressão é feita quando há suspeita de algum outro problema de saúde. 

Para realizar a medida de pressão é necessário que a criança ou adolescente esteja descansada, ou ao menos tenha estado sentada por 5 minutos, em repouso.

Lembrando-se que os aparelhos usados para medir a pressão em adultos não são os mesmos utilizados para crianças. 

Existem aparelhos de pressão específicos para pediatria. Eles geralmente são menores e com o manguito apropriado para ser colocado no braço da criança. Enquanto isso, o médico utiliza o estetoscópio para auscultar (por isso este método de medir pressão é denominado método auscultatório). 

Em 2004, A Academia Americana de Pediatria atualizou as recomendações sobre como diagnosticar e avaliar a hipertensão em crianças e adolescentes. Esses são os principais pontos, válidos para crianças de 1 a 13 anos: 

  • Pressão Normal: < percentil 90 (baseando-se na idade, sexo e altura); 
  • Pressão elevada (pré-hipertensão): percentil entre 90 e 95, ou abaixo de 120/80 mmHg; 
  • Hipertensão estágio 1: acima de percentil 95, pressão acima de 120 mmHg ou 130/80 a 139/89 mmHg; 
  • Hipertensão estágio 2: valores acima dos expostos no estágio 1. 

Causas e fatores de risco da hipertensão em crianças e adolescentes 

  • Manifestação secundária de outras doenças, como problemas renais, pulmonares ou problemas do coração; 
  • Obesidade; 
  • Sedentarismo; 
  • Alimentação inadequada com altas taxas de sal; 
  • Adolescentes: consumo de bebidas alcóolicas; 
  • Consumo de anabolizantes; 
  • Consumo de anticoncepcionais; 
  • Hereditariedade. 

Tratamento da hipertensão infantil 

Após o diagnóstico da hipertensão na criança ou no adolescente, é preciso investigar as causas. 

No caso dos adolescentes, se o paciente não estiver acima do peso, deve ser investigado o consumo de cigarros ou de anabolizantes. 

A alimentação e hábitos também devem ser investigados, uma vez que hábitos deletérios de alimentação, com consumo excessivo de sal e alimentos industrializados, também podem contribuir para o surgimento da hipertensão em crianças e adolescentes. 

Se caso houver uma doença de base instalada e a hipertensão for causa secundária, é importante que o tratamento seja instituído o quanto antes, com o ajuste ou troca da medicação, seja ela corticoides ou anticoncepcionais, por exemplo. 

Contudo, a grande maioria dos casos de hipertensão diagnosticados não envolve uma doença de base, não sendo a hipertensão uma doença secundária e sim o sintoma primário de hábitos ruins para o organismo. 

Assim, a mudança de estilo de vida é uma das principais linhas de tratamento para hipertensão em crianças e adolescentes. 

Alimentos industrializados, além de serem cheios de conservantes químicos, têm quantidades excessivas de sal.  Por sua vez, o consumo excessivo de sal, o excesso de peso e a inatividade andam de mãos dadas com a hipertensão.

Dentre esses alimentos industrializados estão vários favoritos de crianças e adolescentes, como salgadinhos, refrigerantes, ketchup, dentre vários outros. Todos esses alimentos têm quantidades excessivas de sal adicionado, explicito na tabela nutricional no campo sódio.

Desta forma, não é só o sal que tempera a comida que deve ser a preocupação, mas sim o sal adicionado nos alimentos industrializados. 

Além disso, crianças e adolescentes na atualidade não costumam, em sua grande maioria, ser muito ativos. Gastam horas na frente da TV, computador ou celular, jogando. Porém, sabe-se que a atividade física é fundamental para a saúde e o simples fato de reduzir as horas de inatividade e aumentar a movimentação, pode melhorar e muito a qualidade da saúde dos hipertensos.

Hipertensão em adolescentes fumantes 

O fumo é uma das principais causas de aumento da pressão, além de causar outros inúmeros males ao organismo. 

Muitos adolescentes começam a fumar porque vivem em um lar no qual os pais fumam, ou porque amigos fumam e não querem se sentir deslocados. Campanhas de conscientização e de saúde pública são essenciais para mudar esse quadro.

O fumo em adolescentes causa inúmeros danos às artérias. É um hábito que só traz males ao organismo, não só em termos de pressão, como também danificando aos pulmões, aos dentes e estruturas bucais. 

Para as adolescentes, que ainda podem associar o fumo ao uso de anticoncepcionais, o risco de hipertensão é ainda maior e ´pode ser ainda mais nocivo.

Por fim, o uso de anabolizantes em academia também é outro causador de hipertensão em adolescentes. São remédios que jamais devem ser utilizados sem orientação médica, principalmente por adolescentes, uma vez que trazem danos irreversíveis ao organismo.

Em resumo, a hipertensão em crianças e adolescentes passa por um correto diagnóstico, avaliação das causas e mudanças de hábitos, para que essa paciente não sofra com as consequências da hipertensão. 

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