Doenças autoimunes e coração

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Como doenças autoimunes afetam o coração?

Doenças autoimunes são doenças nas quais o sistema de defesa do corpo, chamado de sistema imunológico, ataca determinadas estruturas do próprio organismo da pessoa.

A lista de doenças autoimunes existentes é extensa e pode comprometer seriamente a saúde. Mas, e o coração, será que também pode ser afetado por elas?  

Quais as medidas preventivas que devem ser tomadas para que portadores de doenças autoimunes possam ter boa saúde cardíaca? É o que veremos no texto de hoje.

Principais doenças autoimunes com comprometimento cardíaco

Existe uma grande lista de doenças autoimunes.

Na década passada, houve uma reclassificação dessas doenças, que passaram a ter o nome de doenças sistêmicas imunomediadas, que incluem duas categorias de doenças: doenças autoimunes e doenças autoinflamatórias.

No primeiro grupo, das chamadas doenças autoimunes, temos, por exemplo, a artrite reumatoide. Já no segundo grupo temos as doenças inflamatórias intestinais.

Ainda assim, o termo mais usado continua sendo “doença autoimune”. Em suma, doenças autoimunes são aquelas nas quais são gerados anticorpos contra estruturas próprias do organismo, as quais não são consideradas antígenos (fatores agressivos) em outros indivíduos.

Por exemplo, em um indivíduo com artrite reumatoide, o organismo dele cria anticorpos contra as próprias articulações. Assim, o paciente começa a sentir dores nas articulações, como joelho, mãos, pois essas articulações estão sendo degradadas.

Existem algumas doenças nas quais o acometimento do coração é mais comum do que em outras.

O diabetes tipo 1, por exemplo, é considerado uma doença autoimune, no entanto, o grau de acometimento cardíaco depende, exclusivamente, do controle glicêmico do paciente.

Ou seja, se é um paciente que mantém a glicemia sob controle, tem uma alimentação saudável e praticam exercícios físicos, a probabilidade de acometimento cardíaco não será grande.

Contudo, existem outras doenças autoimunes onde o comprometimento cardíaco é mais comum, podendo ir de leve a severo.

Confira alguns exemplos:

  • Lúpus Eritematoso Sistêmico;
  • Artrite Reumatoide;
  • Esclerodermia;
  • Sarcoidose;
  • Churg-Strauss;
  • Wegener.

Avaliação cardíaca

Primordialmente, a avaliação cardíaca em pacientes com doenças autoimunes deve ser sempre realizada por um médico cardiologista de confiança e especialista no assunto.

A avaliação inicial deve ser feita com um ecocardiograma, que poderá indicar alguma alteração.

O miocárdio ou o endocárdio, que são tecidos que compõe o coração, são as estruturas que mais podem estar afetadas em pacientes com doenças autoimunes.

Além do ecocardiograma, também poderá realizada uma ressonância magnética, uma vez que o exame poderá indicar miocardite e diferenciar se o dano é isquêmico ou inflamatório.

Confira a lista completa de exames cardiológicos.

Exames de sangue, para avaliar biomarcadores, podem dar resultados falsos, portanto exames de imagem e sinais clínicos são sempre a melhor forma de avaliação.

É importante sempre observar que em pacientes portadores de autoimunes, deve sempre ser verificado se há presença de ateroesclerose prematura.

A aterosclerose é uma doença multifatorial, crônica e inflamatória, tradicionalmente vista como um distúrbio lipídico que afeta as paredes dos vasos. Atualmente, essa teoria foi modificada e sabe-se que todos os braços do sistema imunológico participam da formação do ateroma. 

Recentemente, a crescente compreensão dos mecanismos que promovem danos vasculares tem se concentrado nas vias pró-inflamatórias, que parecem desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento e propagação da doença

Assim, alguns dos mecanismos que impulsionam a formação da placa aterosclerótica e, portanto,  merecem atenção especial dos portadores de doenças autoimunes.

Isso porque nestes pacientes, há sempre algum grau de atividade inflamatória presente no organismo. Assim, pequenas placas já podem levar a danos nas paredes das artérias, uma vez que a sensibilidade deles para a doença pode ser maior.

Além disso, o tratamento de inúmeras doenças autoimunes normalmente exige a utilização de corticoides, que são medicamentos que diminuem a atividade intensa do sistema imunológico. Por outro lado, é sabido que corticoides aumentam a prevalência de placas de gordura (ateromas) nas paredes das coronarianas.

Consequentemente, é necessário um acompanhamento próximo da saúde geral do indivíduo em termos de colesterol, sobretudo a quantificação de LDL, que é o colesterol “ruim”. Saiba mais sobre o colesterol clicando aqui.

Conclusão

Inegavelmente, pacientes com diferentes doenças autoimunes necessitam de constante avaliação cardíaca. É necessário que um bom cardiologista faça a examinação clínica, bem como indique as providências para cada caso.

Por fim, caso o indivíduo já tenha tido algum evento cardíaco prévio, o cuidado deve ser ainda maior, com acompanhamento próximo e constante. Assim, seja qual for a situação, conte com a Abreu Cardiologia.

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